
Preocupação com cenário fiscal no Brasil preocupa investidores, que já veem espaço para elevação de juros no país
O dólar abriu em alta nesta sexta-feira e chegou a R$ 5,7926, mas cedeu após a divulgação de dados do mercado de trabalho americano abaixo do esperado. Por volta de 9h55, estava cotado a R$ 5,7446, mas ainda acima da cotação de fechamento da véspera, que foi de R$ 5,73, maior patamar em dois anos e meio.
Os números mostram que o mercado de trabalho está menos aquecido do que se imaginava, o que reforça o cenário para início do corte de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), em setembro.
Alguns investidores avaliam que o BC dos EUA já deveria ter iniciado a redução da taxa, que hoje está no intervalo de 5,25% e 5,5%.
No Brasil, o cenário fiscal é o que mais preocupa os investidores. No acumulado do ano, o dólar já subiu 15%, e o real apresenta o pior desempenho entre as principais moedas do mundo ante a divisa americana.
Analistas já avaliam que, diante do atual cenário, é possível uma elevação da Selic em setembro. A taxa está em 10,5% ao ano e foi mantida na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana.
Em entrevista à Bloomberg, o analista do Santander Marco Antonio Caruso, disse que se o câmbio chegar a R$ 5,75/R$ 5,80, isso forçaria o Banco Central a subir os juros.
Ações de tecnologia despencam nos EUA
No exterior, os índices futuros de ações nos EUA amanheceram no vermelho. S&P e Dow Jones têm queda superior a 1%, e a Bolsa de tecnologia Nasdaq recua mais de 2%, com dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos das big techs em inteligência artificial.
As ações da Amazon caíam 8% no pré-mercado, com receio de investidores relacionado à alta de custos. As da Intel despencavam mais de 20%, após anúncio no dia anterior de que a empresa vai demitir 15 mil trabalhadores.
As principais bolsas na Europa também estão em baixa. Na Ásia, elas fecharam em queda, com destaque para Tóquio, que despencou 5,81%, após a alta nos juros do país nesta semana para o maior patamar desde dezembro de 2008. Hong Kong recuou 2,08% e Shenzhen cedeu 1,02%.
Fonte: O GLOBO



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