Com o sol forte predominando durante todo o ano, oncologistas reforçam que moradores da Região Norte devem redobrar a atenção aos sinais do câncer de pele. A doença representa cerca de 30% de todos os diagnósticos de câncer no Brasil, segundo o INCA, e apesar de tão comum, ainda é subestimada por grande parte da população. Essa percepção equivocada faz com que muitos pacientes só procurem ajuda médica quando a doença já apresenta sinais de evolução.
O oncologista Dr. Peter Silva, da Oncológica do Brasil, explica que o problema pode começar de forma discreta. “Uma lesão que começa pequena e aparentemente inofensiva pode, em determinadas situações, avançar para os gânglios linfáticos e até gerar metástases em outros órgãos. Esse é o momento em que o caso deixa de ser exclusivamente dermatológico. Quando há suspeita de disseminação, o oncologista precisa assumir a condução do diagnóstico e do tratamento”, afirma.
A médica clínica geral Dra. Cristineia Paiva destaca que o clima da região Norte intensifica a necessidade de cuidados. “Precisamos orientar a população a observar mudanças na pele e buscar avaliação precoce. O diagnóstico rápido faz toda a diferença no desfecho clínico”, ressalta.
Quando o caso deixa de ser apenas dermatológico
O câncer de pele passa a ter caráter oncológico quando deixa de estar restrito à pele e apresenta potencial de se espalhar pelo corpo. Sinais de alerta que exigem atenção imediata incluem:
Lesões com crescimento acelerado ou mudança rápida de cor e formato;
Feridas que não cicatrizam após algumas semanas;
Linfonodos aumentados ou dolorosos próximos à área da lesão.
Esses indícios mostram que o tumor pode ter ultrapassado a superfície da pele. “Quando encontramos linfonodos comprometidos, significa que o tumor começou a se comportar de forma sistêmica. Nesse momento, realizamos o estadiamento oncológico, que define toda a estratégia terapêutica”, explica Dr. Peter Silva.
A diferença entre diagnóstico precoce e tardio
No câncer de pele — especialmente no melanoma — o tempo é decisivo. A profundidade do tumor pode aumentar em semanas, elevando consideravelmente o risco de atingir a corrente sanguínea e os gânglios linfáticos. Por isso, alterações aceleradas devem ser tratadas como sinais de alerta.
Como o paciente pode identificar sinais suspeitos?
De acordo com a Dra. Cristineia Paiva, qualquer pessoa pode realizar um autoexame simples, observando regularmente a pele em busca de mudanças. A principal recomendação é clara: qualquer lesão que muda, cresce, sangra, dói, coça intensamente ou não cicatriza precisa ser avaliada por um médico.
Os especialistas orientam observar características como:
Assimetria;
Bordas irregulares;
Cores diferentes na mesma lesão;
Diâmetro aumentando;
Evolução perceptível em pouco tempo.
Esses fatores ajudam a diferenciar lesões comuns de possíveis tumores — mas apenas uma consulta médica confirma o diagnóstico.
Como se proteger de forma eficaz
Para reduzir o risco de desenvolver câncer de pele, os especialistas recomendam medidas simples e essenciais:
Evitar exposição solar entre 10h e 16h;
Usar protetor solar diariamente e reaplicar ao longo do dia;
Usar chapéus, roupas com proteção UV e óculos escuros;
Redobrar os cuidados após queimaduras solares, especialmente na infância.
Avanços que transformaram o tratamento
A oncologia registrou avanços significativos na última década. Pacientes com câncer de pele avançado podem se beneficiar de tratamentos como a imunoterapia e as terapias-alvo, que têm apresentado melhores taxas de resposta e aumento da sobrevida, inclusive em casos metastáticos.
Dezembro Laranja na Oncológica do Brasil
No mês dedicado à prevenção do câncer de pele, o Dezembro Laranja, a Oncológica do Brasil reforça a importância do diagnóstico precoce e do cuidado contínuo. Muitas lesões que parecem simples pintas ou pequenas manchas podem evoluir rapidamente e se transformar em uma doença sistêmica — motivo pelo qual a prevenção é o primeiro e mais importante passo.
A proteção começa na prevenção, e a atenção à própria pele pode salvar vidas.

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