O último mês foi marcado em todo o Brasil, por campanhas de conscientização voltadas ao cuidado com a saúde mental. A mobilização chama atenção para um problema cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, o adoecimento provocado pelo excesso de trabalho, pressão por metas, assédio e acúmulo de funções, que muitas vezes não fazem parte das atribuições originais do trabalhador. De acordo com especialistas, esse conjunto de fatores tem levado muitas pessoas a um estado de esgotamento físico e emocional. Os primeiros sinais costumam ser sutis, mas progressivos, inquietação, tristeza frequente, perda de ânimo para o trabalho e a sensação de que tarefas antes simples se tornam difíceis demais. Quando isso acontece, o alerta precisa ser ligado, e não é alerta de incêndio, é de cuidado com a vida, o corpo e a mente estão dando um recado claro e ignorar não é opção.
Durante o quadro "Momento da
Inclusão", Jailton Delogo abordou o tema a partir de relatos reais
recebidos por meio das redes sociais. Um dos depoimentos, chamou atenção do
ativista, pela clareza com que o servidor descreveu os efeitos do afastamento e
do retorno ao ambiente de trabalho, “quando saí para o recesso, voltei a dormir
melhor, a me alimentar bem e até a sorrir mais no convívio com minha família e
meus amigos, mas, à medida que se aproximava a volta ao trabalho, perdi o
apetite, passei a demorar para dormir, tive noites em claro e cheguei a sentir
ânsia de vômito.” Segundo Jailton, quando os sintomas chegam a esse nível, é
essencial que a pessoa tome medidas imediatas. Advogado e conhecedor da área do
direito, ele explica que a primeira medida do trabalhador deve ser solicitar o
afastamento, para que possa buscar tratamento adequado. "A pessoa precisa
se afastar para se cuidar e, a partir daí, avaliar o que deve ser feito se
haverá retorno ao trabalho, reabilitação profissional ou, em casos mais graves,
aposentadoria.” Delogo também ressaltou a importância de o trabalhador resguardar
seus direitos, “a pessoa deve guardar todos os atestados médicos, laudos
psicológicos ou psiquiátricos, receitas, encaminhamentos e exames, além de
registrar formalmente tudo o que ocorre no ambiente de trabalho, como situações
de assédio, cobranças excessivas ou acúmulo de funções. Essa documentação é
fundamental para demonstrar que a doença foi proveniente do trabalho,
garantindo respaldo em afastamentos, perícias e possíveis processos
administrativos ou judiciais”. Nada substitui o registro. Provar o nexo entre a
doença e o trabalho é essencial para a proteção do trabalhador, destacou.
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